No Brasil, 2,6% da população já experimentou maconha. Na Europa Ocidental, 7%. Na América do Norte e na Oceania, 11% e 16%.
Para o psiquiatra Ronaldo Laranjeira, legalizar a droga no Brasil seria aceitar o risco de ver o consumo disparar. "O preço seria ver o país chegar em um padrão australiano daqui a dez anos. Se isso acontecer, em um país sem retaguarda do sistema de saúde, a população necessitada vai ficar desassistida."
O trabalho de Robin Room cita o caso da Holanda, onde é possível fumar a erva em coffee shops, embora a maconha não seja legalizada.
Lá, com o crescimento no número desses estabelecimentos, o número de jovens entre 18 e 20 anos que já tinha fumado subiu de 15% para 44% em 12 anos.
"A maconha não faz parte da nossa cultura. Se você fizer um plebiscito sobre a legalização, ela perde fácil", acredita Laranjeira.
Já o neurologista Sidarta Ribeiro prega a legalização. "Por que a maconha é considerada porta de entrada para as outras drogas? Porque as outras são vendidas pelos mesmos traficantes", diz.
Apesar do aumento no número de usuários, a Holanda teve sucesso em afastá-los de traficantes: 87% da maconha consumida em Amsterdã é comprada em coffe shops.
Laranjeira acha que o maior objetivo de uma política sobre a maconha deve ser evitar aumento no número de usuários. Ribeiro se preocupa mais em tirar a erva da mão dos traficantes.
"Nada garante que, após a legalização, variações mais perigosas da maconha não surjam, como já ocorre no Reino Unido", diz Laranjeira.
O trabalho de Room fala pouco sobre o uso medicinal da maconha, outra área em que os pesquisadores discordam. Ribeiro aponta os benefícios contra dor e insônia, por exemplo. Laranjeira acha que há substâncias melhores para tratar esses sintomas.
Fonte: DE SÃO PAULO
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sábado, 28 de agosto de 2010
Filhos de mulheres que fumaram na gravidez têm mais problemas de saúde
Estudo publicado recentemente em uma revista da Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica demonstra a relação existente entre a exposição antes, durante e depois da gravidez à fumaça do tabaco, e a aparição de patologias respiratórias nos primeiros anos de vida da criança.
Os resultados do estudo indicam que as crianças expostas ao tabaco no período pré-natal apresentam uma incidência de hospitalizações por infecção respiratória maior que os filhos de mulheres não fumantes.
Por outro lado, a exposição do recém-nascido à fumaça dos charutos se associa com a aparição de chiados no peito e com o aumento da probabilidade de sofrer de asma a partir dos 4 anos de idade.
Os chiados, que constituem por si só um sinal de problemas respiratórios, são sons parecidos com assovios que acompanham a respiração quando o ar flui por vias estreitas.
Além desse problema, as crianças avaliadas pelo estudo, expostas antes e depois do parto aos efeitos do tabaco, apresentaram mais rouquidão persistente, tosse noturna e a probabilidade de sofrer mais resfriados comuns.
A Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica lembra que a asma é a afecção crônica pediátrica mais frequente e que sua prevalência aumenta especialmente nas regiões industrializadas.
No aumento dos casos desta patologia respiratória, a exposição ambiental tem um papel relevante e, entre os fatores ambientais, destaca-se a fumaça do tabaco.
O estudo, realizado a partir do acompanhamento de 1.611 meninos e meninas, avaliou tanto os hábitos de dependência ao tabaco dos pais como os sintomas respiratórios e alérgicos das crianças.
Em consequência, o acompanhamento demonstrou que os filhos do grupo de consumidoras de tabaco no período pré-natal apresentaram tamanhos menores em relação ao grupo de não fumantes, enquanto, paradoxalmente, os bebês de mães que interromperam o consumo de tabaco durante a gestação não apresentaram nenhuma diferença frente às não fumantes.
A conclusão do estudo evidencia, por outro lado, que a exposição passiva à fumaça do tabaco durante a gravidez e a infância tem efeitos clínicos respiratórios bem diferenciados em crianças. Por isso, os responsáveis pela pesquisa consideram que a interrupção da dependência ao tabaco em mulheres que querem ser mães deveria ser uma medida preventiva de saúde pública.
O serviço, que é gratuito e se denomina "Text4baby", alerta sobre os riscos de fumar para as gestantes. E lembra, por exemplo, que em um país tão desenvolvido, cerca de meio milhão de bebês nascem prematuramente como consequência da má alimentação, do estresse excessivo, ou do consumo de álcool e de tabaco das mães.
Além disso, cerca de 28 mil crianças americanas, muitas delas prematuras, morrem antes de alcançar seu primeiro ano de vida, segundo a coalizão "Mães Saudáveis, Bebês Saudáveis", que patrocina a campanha.
Atualmente, os EUA ocupam o posto número 30 na lista de índices de mortalidade infantil, abaixo de países menos desenvolvidos como Cuba ou Eslovênia, o que é considerado "vergonhoso" por uma parte da opinião pública e certos setores do Governo.
O estudo, publicado em novembro de 2009 no "Journal of Epidemiology and Community Health", foi realizado a partir do acompanhamento de mais de 14 mil mães e de seus filhos nascidos entre 2000 e 2001 no Reino Unido.
As mães foram classificadas em dois grupos, "fumantes moderadas" e "grandes fumantes", segundo o número de cigarros que consumiam ao dia, e foi pedido a elas que avaliassem o comportamento de seus filhos de três anos a partir de um questionário do âmbito da psicologia infantil, para detectar transtornos como a hiperatividade e o transtorno de déficit de atenção (TDA).
Aos dados extraídos do estudo deste questionário foram acrescentados outros fatores que podiam influir nos resultados: idade da mãe durante a gravidez, nível educativo, status socioeconômico e nível de estabilidade familiar.
Uma vez comparados todos os dados se concluiu que os filhos de mulheres que fumaram muito durante a gestação, apresentavam mais frequência problemas de hiperatividade e de TDA.
Além disso, os filhos das "grandes fumantes" tinham o dobro de probabilidades de apresentar problemas de conduta e, no caso dos das "fumantes moderadas" (as que consumiam menos de dez cigarros por dia), os casos de hiperatividade e de TDA aumentavam em 80% .
Os autores do estudo destacaram os graves prejuízos que o consumo de tabaco pode causar na estrutura de desenvolvimento e na função cerebral do feto e colocaram em relevo que, por razões que se desconhecem, os meninos são mais suscetíveis ao "ataque químico" da nicotina do que as meninas.
Os resultados do estudo indicam que as crianças expostas ao tabaco no período pré-natal apresentam uma incidência de hospitalizações por infecção respiratória maior que os filhos de mulheres não fumantes.
Por outro lado, a exposição do recém-nascido à fumaça dos charutos se associa com a aparição de chiados no peito e com o aumento da probabilidade de sofrer de asma a partir dos 4 anos de idade.
| Os resultados do estudo indicam que as crianças expostas ao tabaco no período pré-natal apresentam uma incidência de hospitalizações por infecção respiratória maior que os filhos de mulheres não fumantes. |
Os chiados, que constituem por si só um sinal de problemas respiratórios, são sons parecidos com assovios que acompanham a respiração quando o ar flui por vias estreitas.
Além desse problema, as crianças avaliadas pelo estudo, expostas antes e depois do parto aos efeitos do tabaco, apresentaram mais rouquidão persistente, tosse noturna e a probabilidade de sofrer mais resfriados comuns.
A Sociedade Espanhola de Pneumologia e Cirurgia Torácica lembra que a asma é a afecção crônica pediátrica mais frequente e que sua prevalência aumenta especialmente nas regiões industrializadas.
No aumento dos casos desta patologia respiratória, a exposição ambiental tem um papel relevante e, entre os fatores ambientais, destaca-se a fumaça do tabaco.
O estudo, realizado a partir do acompanhamento de 1.611 meninos e meninas, avaliou tanto os hábitos de dependência ao tabaco dos pais como os sintomas respiratórios e alérgicos das crianças.
Medidas
O estudo também realizou um acompanhamento de dados como peso, altura e perímetro craniano das crianças. Os resultados indicaram que, nos filhos de mães fumantes persistentes (antes, durante e depois da gravidez), os parâmetros referidos aparecem com níveis significativamente baixos ao nascer, em relação aos filhos de mães que nunca fumaram.Em consequência, o acompanhamento demonstrou que os filhos do grupo de consumidoras de tabaco no período pré-natal apresentaram tamanhos menores em relação ao grupo de não fumantes, enquanto, paradoxalmente, os bebês de mães que interromperam o consumo de tabaco durante a gestação não apresentaram nenhuma diferença frente às não fumantes.
A conclusão do estudo evidencia, por outro lado, que a exposição passiva à fumaça do tabaco durante a gravidez e a infância tem efeitos clínicos respiratórios bem diferenciados em crianças. Por isso, os responsáveis pela pesquisa consideram que a interrupção da dependência ao tabaco em mulheres que querem ser mães deveria ser uma medida preventiva de saúde pública.
Celular
Nos Estados Unidos, onde as pesquisas sobre as patologias que prejudicam o feto ou os recém-nascidos são abundantes, iniciou-se em fevereiro um programa destinado a grávidas que fornece informação periódica sobre medidas preventivas, tanto para ela como para seu bebê, por meio de mensagens de texto no telefone celular.O serviço, que é gratuito e se denomina "Text4baby", alerta sobre os riscos de fumar para as gestantes. E lembra, por exemplo, que em um país tão desenvolvido, cerca de meio milhão de bebês nascem prematuramente como consequência da má alimentação, do estresse excessivo, ou do consumo de álcool e de tabaco das mães.
Além disso, cerca de 28 mil crianças americanas, muitas delas prematuras, morrem antes de alcançar seu primeiro ano de vida, segundo a coalizão "Mães Saudáveis, Bebês Saudáveis", que patrocina a campanha.
Atualmente, os EUA ocupam o posto número 30 na lista de índices de mortalidade infantil, abaixo de países menos desenvolvidos como Cuba ou Eslovênia, o que é considerado "vergonhoso" por uma parte da opinião pública e certos setores do Governo.
Conduta
Por último, outro relatório de cientistas e médicos britânicos assinala que fumar durante a gravidez aumenta de maneira significativa o risco de ter filhos com problemas de conduta, que podem se manifestar a partir dos três anos.O estudo, publicado em novembro de 2009 no "Journal of Epidemiology and Community Health", foi realizado a partir do acompanhamento de mais de 14 mil mães e de seus filhos nascidos entre 2000 e 2001 no Reino Unido.
As mães foram classificadas em dois grupos, "fumantes moderadas" e "grandes fumantes", segundo o número de cigarros que consumiam ao dia, e foi pedido a elas que avaliassem o comportamento de seus filhos de três anos a partir de um questionário do âmbito da psicologia infantil, para detectar transtornos como a hiperatividade e o transtorno de déficit de atenção (TDA).
Aos dados extraídos do estudo deste questionário foram acrescentados outros fatores que podiam influir nos resultados: idade da mãe durante a gravidez, nível educativo, status socioeconômico e nível de estabilidade familiar.
Uma vez comparados todos os dados se concluiu que os filhos de mulheres que fumaram muito durante a gestação, apresentavam mais frequência problemas de hiperatividade e de TDA.
Além disso, os filhos das "grandes fumantes" tinham o dobro de probabilidades de apresentar problemas de conduta e, no caso dos das "fumantes moderadas" (as que consumiam menos de dez cigarros por dia), os casos de hiperatividade e de TDA aumentavam em 80% .
Os autores do estudo destacaram os graves prejuízos que o consumo de tabaco pode causar na estrutura de desenvolvimento e na função cerebral do feto e colocaram em relevo que, por razões que se desconhecem, os meninos são mais suscetíveis ao "ataque químico" da nicotina do que as meninas.
Fonte: Francisco Galindo Da Efe
No Brasil, 26% estão expostos a cigarro 4 horas por dia
Entre os fumantes passivos, mais da metade fica até 2 horas por dia respirando a fumaça de cigarro alheia, aponta pesquisa
Mais de um quarto dos brasileiros com mais de 16 anos (26%) fica exposto à fumaça de cigarro em ambientes fechados por em média quatro horas por dia, concluiu uma pesquisa inédita encomendada pela Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, obtida pelo jornal O Estado de S. Paulo.
De acordo com levantamento, realizado pelo instituto de pesquisas Datafolha, mais da metade do grupo vítima do fumo passivo fica até 2 horas por dia respirando a fumaça de cigarro alheia e 13%, 19 horas ou mais - isto apesar de a maioria dos ouvidos concordar que a fumaça faz mal tanto para o fumante quanto para quem não fuma."A maioria dos municípios ainda não baniu os fumódromos e há também pessoas que fumam dentro de casa, expondo os demais moradores aos riscos do cigarro", afirmou a presidente da sociedade, Jussara Fiterman. "Muitas vezes é difícil intervir. São os familiares, o marido, a mulher, submetidos ao tabagismo por causa dos hábitos de um outro morador da casa. O fumante é uma vítima e o que não quer fumar e é obrigado, mais ainda."
A pesquisa ouviu 2.242 brasileiros com 16 anos ou mais, pertencentes a todas as classes econômicas, em pontos de fluxo de 143 municípios. A margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, dentro do intervalo de confiança de 95%. O levantamento também mostra que 20% disseram fumar; a média é de 13 cigarros diários.
Consequências
O fumo passivo também pode matar e causar doenças como câncer de pulmão e enfisema grave. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), além dos 1,3 bilhão de fumantes do mundo, outros 2 bilhões de pessoas respiram passivamente fumaça de cigarro todos os dias. O problema foi escolhido como tema do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado amanhã, quando o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lança a campanha Mulher, Você Merece Algo Melhor do Que Cigarro, acompanhando temática da OMS para o dia mundial de combate. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
O sucesso do mercado da cerveja no Brasil e os prejuízos do Sistema de Saúde (público e privado)
A primeira década do século XXI termina registrando o enorme sucesso comercial do ramo da indústria das cervejas no Brasil, apesar da crise econômica mundial (talvez, um pouco por esta influenciada). “Nunca neste país se vendeu (e se bebeu, naturalmente) tanta cerveja como agora”. Pode-se estimar que a produção de cerveja no Brasil dobrou nos últimos dez anos, acompanhando a curva de crescimento do consumo da década anterior que já mostrava um crescimento ano a ano. Segundo noticiários recentes publicados no O Globo e na Revista Investmais, a holandesa Heineken acabou de comprar a Femsa (Kaiser, Bavária e Sol), por US$ 7,3 bilhões (7% do mercado nacional). No Brasil a empresa AmBev é líder do mercado com 70,0% dos negócios das cervejas e assim como na Argentina (70%), sendo que no Uruguai, na Bolívia e no Paraguai, segundo estas notícias, responde por 90% (!). As concorrentes Nova Schin e a Itaipava (11,6%, 9,6%, respectivamente), somadas a outras marcas menores, completam o “saudável” mercado brasileiro das cervejas. As outras bebidas alcoólicas têm, também, importante participação, mas não tanto como a cerveja uma vez que o vinho e a cachaça têm limitações contra a livre e maciça propaganda (Lei nº 9.294, de 1996). E mais ainda, o que nos preocupa, com relação à área da Saúde Pública, é o enorme interesse de outras grandes empresas de cerveja do mundo virem para o Brasil de olho neste “saudável” mercado com ampla e irrestrita liberdade de propaganda estimulando o consumo sustentado. O nosso consumo per capta já é significativo: em torno de 60 lts/pessoa/ano, sendo que em grandes cidades como o Rio e São Paulo, por exemplo, passa de 100 lts per capta. Estamos chegando mais perto dos países com grande nível de consumo como EUA, Alemanha e República Checa (158 lts/pessoa/ano).
A partir de 1996, com a promulgação da Lei 9.294 / 1996, a maciça propaganda das cervejas, então excluídas do controle da publicidade de bebidas alcoólicas (o vinho e a cachaça ficaram sob controle) e de cigarros, as cervejarias aumentaram em mais de 100% a sua produção em nosso país. Deste modo, o Brasil passou a ser o 3º maior produtor mundial de cerveja (10,8 lts/ano), depois da China (em 1º com 35 lts/ano) e dos EUA (em 2º com 23,8 lts/ano). Para 2010, a expectativa da indústria é passar dos 12 bilhões de lts/ano, aumento de 10% na produção (e consumo), graças ao excelente marketing e ao fato de ser 2010 o ano da Copa do Mundo na África do Sul, que tem, inclusive o patrocínio desta indústria. Ao contrário do que se deveria considerar nesta Lei, a cerveja é bebida alcoólica como o vinho, a cachaça, o uísque, a vodka, etc. e possui a mesma quantidade de álcool por dose padrão (uma lata ou uma tulipa de 300 ml), tendo 5% de teor alcoólico, contém 15 ml de álcool puro como uma taça de vinho (150 ml) ou uma dose de cachaça ou uísque (40 ml) que têm igualmente cerca 15 ou 16 ml de álcool puro na sua composição. Portanto, como se vê, cerveja não é bebida (alcoólica) fraca!
Não se trata aqui de demonizar o álcool, ou a cerveja em particular, mas de fazer algo parecido com a campanha de prevenção dos problemas do cigarro. Fortes campanhas de informação e de conscientização das conseqüências sobre a saúde e sobre a segurança relacionadas com o uso e/ou abuso de bebidas alcoólicas, incluindo a mais consumida que é a cerveja, deveriam ser implementadas pelo governo e outras instituições da Sociedade Civil organizada. No entanto, o que todos nós estamos fazendo? Assistindo, quase impotentes, às perdas e os danos relacionados ao uso, abuso e dependência das bebidas alcoólicas. Preocupados mais em cuidar das conseqüências (mortos e feridos dos acidentes diários de trânsito, no trabalho ou em casa, das centenas de milhares de doentes, dos dependentes e de seus familiares, do precoce alcoolismo
dos jovens, etc.) do que em enfrentar o problema de forma global e sistêmica, precisamos melhorar nossas estratégias de políticas públicas. Existem muitas dificuldades a serem enfrentadas, desde o forte lobby da indústria à cultura do beber associada a festas, beleza, sensualidade, bem-estar, sucesso e felicidade, dinheiro ou boa posição social, gregarismo (vale lembrar a imagem comum de um grupo de amigos felizes no bar), ... Uma das grandes dificuldades no enfrentamento de se buscar melhor equilíbrio entre uso e o abuso deletério para saúde, reside na exata proporção do grande negócio e do enorme lucro desta indústria e seu forte “lobby” . Segundo dados da própria indústria, o Brasil já é o 3º maior produtor mundial de cerveja. Como vem sendo constatado, há fortes indicativos de efetivo crescimento deste mercado graças, sobretudo, aos estímulos para o aumento do consumo entre os jovens e mulheres (foco na faixa de 18 a 29 anos de idade), alvos preferidos das bonitas e inteligentes campanhas de publicidade.
Só para se ter uma idéia do PIB deste mercado no Brasil, vejamos: 12 bilhões de litros = 36 bilhões de latinhas ou de chopes (300 ml a dose média)= x R$ 3.0 (preço médio de balcão)= R$ 108 BILHÔES/ano! Sem contar com o movimento relativo ao comércio do vinho e das bebidas destiladas (cachaça, uísque, etc.). É quase duas vezes o valor do orçamento do Ministério da Saúde (55 bilhões de reais)! Contudo, temos que reconhecer o lado positivo desta indústria: mais de 20.000 empregos diretos nas dezenas de fábricas no Brasil; centenas de milhares de empregos indiretos de vendedores, distribuidores e dos ligados aos milhares de pontos de venda; além dos altos impostos pagos para o Governo.
Entretanto, não podemos deixar de considerar os gastos do Governo brasileiro, e da sociedade em geral, com os milhares de mortos e feridos/ano dos acidentes de trânsito dos fins de semana: mais de 30.000 crianças, que nascem com déficit ou distúrbio mental decorrentes da SAF (Síndrome Alcoólica Fetal, uso de álcool na gravidez); milhares de leitos hospitalares clínicos e psiquiátricos, além dos do CTI e das Emergências, ocupados por pacientes com doenças decorrentes do álcool; agressões e ferimentos devido à violência contra terceiros, principalmente mulheres e crianças (daí as crianças de rua, em parte), etc. Na minha estimativa, a grosso modo, os gastos gerais com os Problemas Relacionados com o uso, abuso e dependência do Álcool, podem chegar a mais de 4 vezes o orçamento do Ministério da Saúde, ou seja, algo em torno de 7% do nosso PIB!
Sem dúvida, estamos diante de um grande e complexo desafio no âmbito da Saúde Pública e da Segurança Social, não só no Brasil, mas também em muitos países desenvolvidos ou emergentes. Na Rússia, por exemplo, o Alcoolismo é bastante grave: estima-se que metade das mortes dos adultos esteja ligada ao abuso ou dependência das bebidas alcoólicas. No Brasil o problema é também, naturalmente, bastante sério.
Não se trata de combater o lucro, mas de privilegiar e priorizar, com mais bom senso, a Saúde e o bem-estar social.
Rio, 21 de Janeiro de 2010.
Prof. José Mauro Braz de Lima, PhD. Fac. de Medicina da UFRJ - Coord. do Programa de Álcool e Drogas da UFRJ (CEPRAL) – Diretor do Hospital Escola São Francisco de Assis da UFRJ.
A partir de 1996, com a promulgação da Lei 9.294 / 1996, a maciça propaganda das cervejas, então excluídas do controle da publicidade de bebidas alcoólicas (o vinho e a cachaça ficaram sob controle) e de cigarros, as cervejarias aumentaram em mais de 100% a sua produção em nosso país. Deste modo, o Brasil passou a ser o 3º maior produtor mundial de cerveja (10,8 lts/ano), depois da China (em 1º com 35 lts/ano) e dos EUA (em 2º com 23,8 lts/ano). Para 2010, a expectativa da indústria é passar dos 12 bilhões de lts/ano, aumento de 10% na produção (e consumo), graças ao excelente marketing e ao fato de ser 2010 o ano da Copa do Mundo na África do Sul, que tem, inclusive o patrocínio desta indústria. Ao contrário do que se deveria considerar nesta Lei, a cerveja é bebida alcoólica como o vinho, a cachaça, o uísque, a vodka, etc. e possui a mesma quantidade de álcool por dose padrão (uma lata ou uma tulipa de 300 ml), tendo 5% de teor alcoólico, contém 15 ml de álcool puro como uma taça de vinho (150 ml) ou uma dose de cachaça ou uísque (40 ml) que têm igualmente cerca 15 ou 16 ml de álcool puro na sua composição. Portanto, como se vê, cerveja não é bebida (alcoólica) fraca!
Não se trata aqui de demonizar o álcool, ou a cerveja em particular, mas de fazer algo parecido com a campanha de prevenção dos problemas do cigarro. Fortes campanhas de informação e de conscientização das conseqüências sobre a saúde e sobre a segurança relacionadas com o uso e/ou abuso de bebidas alcoólicas, incluindo a mais consumida que é a cerveja, deveriam ser implementadas pelo governo e outras instituições da Sociedade Civil organizada. No entanto, o que todos nós estamos fazendo? Assistindo, quase impotentes, às perdas e os danos relacionados ao uso, abuso e dependência das bebidas alcoólicas. Preocupados mais em cuidar das conseqüências (mortos e feridos dos acidentes diários de trânsito, no trabalho ou em casa, das centenas de milhares de doentes, dos dependentes e de seus familiares, do precoce alcoolismo
dos jovens, etc.) do que em enfrentar o problema de forma global e sistêmica, precisamos melhorar nossas estratégias de políticas públicas. Existem muitas dificuldades a serem enfrentadas, desde o forte lobby da indústria à cultura do beber associada a festas, beleza, sensualidade, bem-estar, sucesso e felicidade, dinheiro ou boa posição social, gregarismo (vale lembrar a imagem comum de um grupo de amigos felizes no bar), ... Uma das grandes dificuldades no enfrentamento de se buscar melhor equilíbrio entre uso e o abuso deletério para saúde, reside na exata proporção do grande negócio e do enorme lucro desta indústria e seu forte “lobby” . Segundo dados da própria indústria, o Brasil já é o 3º maior produtor mundial de cerveja. Como vem sendo constatado, há fortes indicativos de efetivo crescimento deste mercado graças, sobretudo, aos estímulos para o aumento do consumo entre os jovens e mulheres (foco na faixa de 18 a 29 anos de idade), alvos preferidos das bonitas e inteligentes campanhas de publicidade.
Só para se ter uma idéia do PIB deste mercado no Brasil, vejamos: 12 bilhões de litros = 36 bilhões de latinhas ou de chopes (300 ml a dose média)= x R$ 3.0 (preço médio de balcão)= R$ 108 BILHÔES/ano! Sem contar com o movimento relativo ao comércio do vinho e das bebidas destiladas (cachaça, uísque, etc.). É quase duas vezes o valor do orçamento do Ministério da Saúde (55 bilhões de reais)! Contudo, temos que reconhecer o lado positivo desta indústria: mais de 20.000 empregos diretos nas dezenas de fábricas no Brasil; centenas de milhares de empregos indiretos de vendedores, distribuidores e dos ligados aos milhares de pontos de venda; além dos altos impostos pagos para o Governo.
Entretanto, não podemos deixar de considerar os gastos do Governo brasileiro, e da sociedade em geral, com os milhares de mortos e feridos/ano dos acidentes de trânsito dos fins de semana: mais de 30.000 crianças, que nascem com déficit ou distúrbio mental decorrentes da SAF (Síndrome Alcoólica Fetal, uso de álcool na gravidez); milhares de leitos hospitalares clínicos e psiquiátricos, além dos do CTI e das Emergências, ocupados por pacientes com doenças decorrentes do álcool; agressões e ferimentos devido à violência contra terceiros, principalmente mulheres e crianças (daí as crianças de rua, em parte), etc. Na minha estimativa, a grosso modo, os gastos gerais com os Problemas Relacionados com o uso, abuso e dependência do Álcool, podem chegar a mais de 4 vezes o orçamento do Ministério da Saúde, ou seja, algo em torno de 7% do nosso PIB!
Sem dúvida, estamos diante de um grande e complexo desafio no âmbito da Saúde Pública e da Segurança Social, não só no Brasil, mas também em muitos países desenvolvidos ou emergentes. Na Rússia, por exemplo, o Alcoolismo é bastante grave: estima-se que metade das mortes dos adultos esteja ligada ao abuso ou dependência das bebidas alcoólicas. No Brasil o problema é também, naturalmente, bastante sério.
Não se trata de combater o lucro, mas de privilegiar e priorizar, com mais bom senso, a Saúde e o bem-estar social.
Rio, 21 de Janeiro de 2010.
Prof. José Mauro Braz de Lima, PhD. Fac. de Medicina da UFRJ - Coord. do Programa de Álcool e Drogas da UFRJ (CEPRAL) – Diretor do Hospital Escola São Francisco de Assis da UFRJ.
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